Marieta, Obama e o complexo de vira-latas

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Por Iram Alfaia

O escritor Nelson Rodrigues eternizou a expressão “complexo de vira-latas” para aludir “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol”. O dramaturgo nunca esteve tão atual.

Passados décadas da famosa crônica de Nelson, essa característica continua a permear o cotidiano de todos, especialmente nas classes mais abastadas onde o significado de melhor sempre esteve além das nossas fronteiras.

Em meio a uma pesada crise econômica, política e um discurso midiático do caos, espera-se no país  apenas uma acentuação do chamado complexo de vira-latas.

Espera-se, mas nem tanto. Eis que a atriz Marieta Severo e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quebraram recentemente o ritmo desse discurso desenfreado.

Questionada sobre a situação política do país pelo apresentador Faustão, para quem a única coisa organizada é o crime, sendo nós um país da desesperança, a atriz responde: “Não, eu sou sempre otimista”.

E ainda completou: “O país caminhou muito. Pra mim, tem uma coisa muito importante: a inclusão social, a luta contra a desigualdade. A gente teve muito isso nos últimos anos. Estamos numa crise, mas vamos sair dela”.

Num verdadeiro vexame internacional durante entrevista coletiva na Casa Branca pelos presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff, a repórter Sandra Coutinho, da GloboNews, ignora a posição do país de sétima economia mundial e questiona Dilma: “O Brasil se vê como um líder mundial, enquanto Washington encara o País como um líder regional. Como conciliar essas duas visões?”.

Obama pegou a bola pra si: “Bom, eu na verdade vou responder em parte a questão que você acabou de fazer para a presidente (Dilma). Nós vemos o Brasil não como uma potência regional, mas como uma potência global. Se você pensar (…) no G-20, o Brasil é um voz importante ali. As negociações que vão acontecer em Paris, sobre as mudanças climáticas, só podem ter sucesso com o Brasil como líder-chave. Os anúncios feitos hoje sobre energia renovável são indicativos da liderança do Brasil”.

Dois episódios que mostram que existem brasileiros de coragem que não aceitam o discurso unilateral, a inexistência dos avanços sociais, políticos e econômicos. Um país com todas as suas instituições funcionando e que certamente avançará ainda mais. Sim, considero Obama mais brasileiro do que muitos.

 

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