“Democratização da comunicação está na ordem do dia”, diz colunista ao se despedir da Folha

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Por Iram Alfaia

Novo diretor de jornalismo EBC, o colunista Ricardo Melo se despediu nesta segunda (31) da Folha de S.Paulo tocando num assunto inconveniente para todos os proprietários da mídia tradicional: a democratização dos meios de comunicação.

Para ele, o debate sobre o assunto está na ordem do dia, “e ultrapassa os efeitos decorrentes da multiplicação de tecnologias”. Melo diz que a radicalização política envenena a discussão sobre o tema, “cuja peça central deve ser assegurar a verdadeira liberdade de imprensa”.

O colunista esclarece que no jornal “sempre gozou de completa liberdade” e “qualquer que seja a nova paisagem” a Folha terá seu lugar assegurado.

Algo diplomático para quem conhece muito bem a posição do jornal. Editor de opinião e da primeira página, entre outras funções, Melo sabe que o chamado pluralismo do jornal paulista está mais para o pluralismo de direita.

Para incrementar sua posição golpista, por exemplo, a Folha reforçou nos últimos tempos seu time de colunista com nada menos do que o ultra conservador  Reinaldo Azevedo e o tucano Aécio Neves.

O jornal nunca escondeu sua condição de expressão maior da elite paulistana retrograda, preconceituosa  e assumidamente de direita.

Aécio, Mendes e Cunha são golpistas

Na coluna semanal de hoje e de outras semanas, Melo não mostrava muita afinação coma linha editorial do jornal. Na penúltima delas, chamou Aécio Neves, Gilmar Mendes e Eduardo Cunha de golpistas declarados.

“Não importa a lógica, a política, a dialética ou mesmo o senso comum. Suas biografias, já não propriamente admiráveis, dissolvem-se a jato a cada movimento realizado para derrubar um governo eleito”, escreveu.

Na sua despedida, o colunista diz que o governo caiu numa armadilha montada pela oposição. “O pau que bate em Chico continua preferindo Chicos”. Criticou a parcialidade dos jornais na cobertura sobre a crise.

No caso específico das ameaças a Dilma no TCU e TSE, o colunista escreveu que o “PSDB é suspeito de cometer pelo menos 15 irregularidades na campanha presidencial. “Você sabia disso? Provavelmente não. O assunto está confinado ao pé de páginas de alguns jornais”.

O recado foi dado. O colunista e os setores progressistas deste país estão consciente de que quanto maior for a concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucos, menor será a nossa ainda jovem democracia.

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