Deputada portuguesa denuncia golpe no Brasil

Mortagua

Por Iram Alfaia

Em discurso na Assembleia da República de Portugal, a deputada Joana Mortágua, dirigente do Bloco de Esquerda e licenciada em relações internacionais, disse que o impeachment da presidente Dilma Rousseff “se revelou como um golpe contra um Governo democraticamente eleito”.

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Relato de um encontro com Ustra, herói de Bolsonaro

amelinha

 

Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil*

“Eu fui espancada por ele [coronel Ustra] ainda no pátio do DOI-Codi. Ele me deu um safanão com as costas da mão, me jogando no chão, e gritando ‘sua terrorista’. E gritou de uma forma a chamar todos os demais agentes, também torturadores, a me agarrarem e me arrastarem para uma sala de tortura”.

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A arte em defesa da democracia

chico cesar

Revista Fórum

Artistas que viveram o tempo sombrio da ditadura, como João Donato e Arrigo Barnabé, se juntaram aos que passaram pelas incertezas da redemocratização, casos de Edgard Scandurra e Chico César, e a artistas da nova geração para cantar pela democracia e contra o golpe.

Também participam do clipe oficial da campanha Alice Caymmi, Ava Rocha, Lucas santtana, Rico Dalasam, Fioti, Max BO, Guisado, Luís Felipe Gama, Drik Barbosa, Ana Tréa, Pequeno Cidadão, Jovem Cerebral, Taciana Barros, Cacá Machado e Liga do Funk.

Além da música gravada, o movimento também está fazendo um festival no Largo da batata, em São Paulo. Tocam nesta quinta-feira (14/04) artistas como Tiê, Anelis Assumpção, Lira, Tulipa Ruiz, BNegão e Bixiga 70.

O marketing da manada a favor do golpe

manada

Por Iram Alfaia

A semana começa com o vazamento do pronunciamento à nação de Temer já sentado na cadeira da presidente. Os passos seguintes são o desembarque da base aliada do PP e PSD. Todos os acontecimentos recebem ampla cobertura dos veículos de comunicação.

Os últimos atos são classificados pela mídia golpista como “o efeito manada”, ou seja, já sabendo que o impeachment é inevitável os parlamentares correm para o lado vitorioso. “Só um milagre salva o governo”, anunciam.

Não há como negar os fatos. Assim como Temer conspira nos bastidores contra Dilma, os partidos da base aliada estão anunciando desembarque.

Porém, podemos ter outra leitura sobre esses episódios. Trata-se de ação pesada do marketing político ou o marketing da manada.

Isso porque, seria muita ingenuidade achar que o governo jogou a toalha a altura do campeonato. O time de Dilma está em campo apoiado por multidões prontas para ocuparem às ruas deste país. Um clima totalmente diferente da época Collor.

A presidente está na ofensiva. Caso se mantenha no cargo, disse que quer um pacto com a oposição. Em coletiva, um dos seus ministros mais próximos diz que está convencido de que o governo tem número para barrar o golpe e construir uma nova base. Pelo seu cálculo, o governo tem mais de 200 votos.

Até domingo as negociações prosseguem de tal forma que não dá para antecipar resultado. O jogo está sendo jogado.

 

Nádegas indevidas de Temer

Conspirador

Por Iram Alfaia

A urucubaca é fatal para quem canta vitória antes do tempo. Foi assim que aconteceu com Fernando Henrique Cardoso em 1985 quando posou para a imprensa na cadeira de prefeito de São Paulo um dia antes da eleição.

Ao tomar posse no cargo, Jânio Quadros desinfetou a cadeira: “Gostaria que os senhores testemunhassem que estou desinfetando esta poltrona porque nádegas indevidas a usaram”, disse na ocasião o prefeito eleito.

Tal qual o papelão de FHC, o vazamento do áudio de Michel Temer no qual o vice já fala como futuro mandatário é grotesco, conspirador e golpista.

Mesmo que a intenção fosse vazar, uma estratégia torpe, Temer pisou na bola. Ele legitimou o que todos já percebiam: opera pesadamente nos bastidores como conspirador do golpe.

Com isso, o vice entra para história como figura bizarra da política brasileira. Numa eventual saída de Dilma, não terá condições morais e nem políticas para conduzir os destinos da nação.

 

O ódio chega ao seu apogeu

janaina

 

Por Iram Alfaia

Nunca é demais lembrar que a violência, o preconceito e o racismo sempre estiverem presentes na sociedade brasileira de forma implícita ou mascarada. Na obra Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda já revelava essas contradições e derrubava o mito do brasileiro cordial.

Com os avanços sociais durante séculos, a expectativa é que esses sentimentos perversos fossem no mínimo amenizados.

Porém, o que se vê desde a última campanha eleitoral é uma onda crescente de intolerância e ódio de classe. Alimentados por uma mídia golpista, organizações de direita fazem o trabalho de propagar esse ódio que chega ao seu apogeu.

Três episódios recentes retratam bem esse momento:

De linha fascista, o Movimento Endireita Brasil, por exemplo, ofereceu R$ 1.000 a quem hostilizasse Ciro Gomes no restaurante em São Paulo.

“Se alguém estiver por perto, hostilize o cara. Mas ele é esquentadinho. Filmem”. “Seu babaca”, respondeu o ex-ministro numa filmagem feita pelo seu filho.

A revista Istoé abriu sua edição semanal com a matéria “Uma mulher fora de si”, uma peça de conteúdo misógino e de verdadeira ficção contra Dilma.

Num discurso ensandecido na USP, Janaina Paschoal (foto), advogada do golpe, perdeu a linha destilando ódio contra o que ela chamou de “República da Cobra”.

Em todos os casos as reações foram imediatas. A AGU já acionou o Ministério da Justiça contra a revista; e, no caso da advogada, as respostas vieram em tom de piada nas redes sociais.

Na Roma antiga, nas suas “Catilinárias”, Cícero já dizia que “a violência significava a morte da política e a derrocada de qualquer possibilidade de espírito público”.

Portanto, o momento é de desarmar os espíritos e levar a política para o campo racional, de onde para o bem da democracia e do Estado de Direito, nunca deveria ter saído.